Navio americano retido no Lobito por contrabando de material de guerra

Armas e mistério do Maersk Constellation

Maersk Constellation, um navio dos Estados Unidos da América com rota traçada para o Quénia e passagens pelo Senegal e Angola, as anotações referentes à escala do Porto do Lobito devem conter, no mínimo, um palavreado confuso e azedo, espelhando o estado de alma do seu capitão, o cidadão norte-americano Stancil Jason.

Foi um dia terrível o 28 de Fevereiro para o homem que tem sob seu comando uma tripulação de vinte e três marinheiros, todos compatriotas seus à excepção de três, cidadãos da Polónia, estes. Pensava seguir para o porto de destino ao leme do “seu” Maersk Constellation, no Quénia, mas foi obrigado a permanecer em território angolano até explicar, com argumentos que convençam, o mistério da carga não declarada encontrada a bordo do cargueiro.

Está armada uma valente embrulhada com a descoberta de quatro (4) contentores de vinte pés contendo munições de armas anti-aéreas, carga que não consta do “manifesto”, o documento oficial de que se fazem acompanhar todas as embarcações com o registo das mercadorias que transportam e seu destino.

A soja da ONG

Não tivesse o navio norte-americano que descarregar soja no Porto do Lobito e muito provavelmente este episódio de contornos obscuros nunca seria assunto para a mídia nem dor de cabeça para as autoridades angolanas ligadas à segurança dos portos, fronteiras e alfândegas.

Tudo começou, na verdade, depois que o Maersk Constellation, no último dia de Fevereiro  efectuou a descarga de 3.623 toneladas de soja, mercadoria consignada à Organização Não Governamental sul-africana Joint Aid Management (JAM). Numa inspecção minuciosa, os serviços competentes do Porto do Lobito detectaram que existia a bordo mercadoria que não constava do manifesto, o que obrigou aos procedimentos que se adequam a este tipo de situações, para se chegar à verdade.

“Surprise, surprise”: obuses!

Fontes familiares a este escabroso dossier, revelaram a O PAÍS que logo depois que os oficiais de segurança angolanos manifestaram o desejo de ir mais longe no processo de averiguação da anormalidade, a tripulação do navio recusou-se peremptoriamente a permitir que os quatro contentores em causa fossem abertos e inspeccionados. Estabeleceu-se um braço de ferro ultrapassado algum tempo depois, em razão da insistência dos funcionários aduaneiros.

Para o Quénia, dizem…

Descoberto o insólito recheio – uma enorme quantidade de munições para atingir alvos aéreos – os membros da tripulação do Maersk Constellation tiveram de render-se aos factos, interiorizar a gravidade da enrascada e colaborar com a investigação.

Assim, a primeira informação que deles se obteve (até ao fecho da edição a única disponível) é a de que os obuses tinham como destinatário as Forças Armadas do Quénia.

Essa a versão comunicada no calor da embaraçosa revelação, que acabou por desencadear novos desdobramentos, nomeadamente a ordem de retenção do navio. Assim, o cargueiro não se fez ao mar na segunda-feira, 28, como estava programado, para haver tempo disponível para o trabalho de peritagem até se clarificar o imbróglio.

Embaixada americana em Luanda reage Ontem à tarde (quinta-feira,3), a representação diplomática dos Estados Unidos da América em Angola distribuiu a nota que se segue, como posição ao episódio envolvendo o navio “Maersk Constellation”: “A Embaixada dos Estados Unidos teve conhecimento de que a tripulação de um navio comercial, com bandeira Americana acostado no porto do Lobito, foi detida por razões que têm que ver com questões aduaneiras. As autoridades locais apropriadas estão a dar o devido tratamento a esta situação.

Nós reconhecemos a legitimidade do Governo Angolano de fazer cumprir os regulamentos aduaneiros. Temos conhecimento que uma parte da mercadoria, que o navio transportava, é destinada a Angola e já foi descarregada. Esta mercadoria é composta de produtos agrícolas para crianças em idade escolar na província de Benguela proveniente do Departamento da Agricultura ao abrigo do programa Merenda-Escolar. Outrossim, sabemos que há no navio outras mercadorias destinadas a outros países. Cumprimentos”

FONTE: OPAÍS

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