França e NATO negam ter recusado ajuda a embarcação de refugiados na Líbia

Fonte: ionline, por Agência Lusa, Publicado em 10 de Maio de 2011

França negou hoje que o porta-aviões Charles de Gaulle, ao serviço da NATO, tenha recusado socorrer uma embarcação com refugiados líbios que morreram depois de dias à deriva no Mediterrâneo, um caso noticiado pelo diário britânico Guardian.

Segundo o jornal, o barco partiu de Tripoli a 25 de março com 72 passageiros, entre os quais mulheres e crianças pequenas. Depois de uma avaria, andou vários dias à deriva e, a 29 ou 30 de março, aproximou-se de um porta-aviões da NATO ao largo de Misrata, “provavelmente o Charles de Gaulle”.

O porta-aviões, que de acordo com sobreviventes citados pelo Guardian estava “tão perto que seria impossível não ver” a embarcação, terá ignorado a presença dos refugiados, 61 dos quais acabaram por morrer “de fome e de sede”.

O envolvimento do porta-aviões francês no caso foi hoje categoricamente negado pelo Ministério da Defesa. “O Charles de Gaulle nunca esteve a menos de 200 quilómetros de Tripoli, não podia estar na zona onde se encontrava essa embarcação”, afirmou hoje o porta-voz do Estado Maior francês, o coronel Thierry Burkhard.

“O Charles de Gaulle, como todos os navios franceses ao largo da Líbia, não teve, em momento algum, contacto com uma embarcação de migrantes em dificuldades”, reforçou, acrescentando que em 2010 “os navios franceses deram assistência a 800 migrantes em embarcações em dificuldades em todos os mares do globo”.

A NATO já tinha negado na segunda-feira qualquer responsabilidade no caso. “Um único porta-aviões estava sob comando da NATO, nessa data, o navio italiano Garibaldi, que estava a mais de 100 milhas náuticas” de distância, disse um porta-voz da Aliança Atlântica.

Já hoje, uma outra porta-voz da NATO, Carmen Romero, assegurou que nenhum dos navios e aviões aliados no Mediterrâneo recebeu pedidos de auxílio do barco em questão e que sempre responderam e responderão a todos os pedidos.

“A NATO reviu toda a informação relevante disponível. Não encontrámos nenhuma prova de navios da NATO envolvidos neste trágico incidente”, disse.

O presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Mevlut Cavusoglu, pediu na segunda-feira a abertura urgente de “uma investigação séria” das circunstâncias que levaram à morte de 61 homens, mulheres e crianças de fome e de sede “sob o olhar da Europa”.

Num comunicado, Cavusoglu disse-se “profundamente inquieto e impressionado” com o incidente e considerou que, a confirmar-se que “não se fez nada” para salvar essas pessoas depois de um alerta, o dia do trágico acidente será “um dia negro para toda a Europa“.

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