Há 500 anos nascia o revolucionário cartógrafo Mercator

Cientista, desenhador, filósofo e comerciante, o genial filho de um sapateiro flamengo redefiniu na Alemanha a forma de representar em duas dimensões o nosso mundo tridimensional, enfrentando até acusações de heresia.

O clima era de revolução cultural. Navegadores descobriam novos continentes, Nicolau Copérnico reconhecia que os planetas revolviam em torno do Sol, um monge dissidente alemão chamado Martinho Lutero rebelava-se contra a Igreja Católica. Um novo mundo estava à espera de ser descoberto.

O filho de sapateiro Gheert de Kremer, nascido na Flandres a 5 de março 1512, nem podia imaginar que um dia se tornaria um cartógrafo de estatura mundial, e tema de debates, ainda meio milênio mais tarde. Um tio abastado definira para ele uma carreira eclesiástica e paga os seus estudos. Gheert estuda latim, e seguindo a moda da época, adota a versão latina de seu nome de família: Mercator – comerciante.

Ambição e heresia

Gerardus Mercator se revela um jovem sequioso de saber, que persegue uma meta ambiciosa: o registro desse novo mundo em medidas exatas e a representação gráfica de suas partes. Na Universidade de Leuven, ele encontra personalidades que estimulam seus interesses: matemáticos, cartógrafos e gravadores, com cujo auxílio ele absorve os fundamentos técnicos para suas atividades científicas.

Na cidade portuária de Antuérpia, Mercator abre um negócio próprio: ele desenha mapas, produz globos, coleta descrições de viagens dos navegadores. Seus negócios florescem, até que, em 1544, em que é acusado de heresia – ou “luterismo”. Seus questionamentos filosóficos críticos sobre a Bíblia e sobre a ideia de que Deus pudesse ter criado o universo a partir do nada, o levam ao cárcere, ainda que por tempo breve.

Após essa experiência traumática, o jovem flamengo abandona os Países Baixos sete anos mais tarde, mudando-se para a Alemanha. Na universidade a ser construída em Duisburg, lhe é oferecida uma cátedra. Mas esses planos fracassam e Mercator se contenta em lecionar num ginásio.

“Atlas”: obra de uma vida

Sua profissão principal permanece sendo a cartografia. Durante mais de 40 anos, desenha os mapas segundo os mais novos dados científicos e os grava em placas de cobre. Os trabalhos de sua oficina são solicitados em todo o mundo. Esse é o período mais criativo de sua vida, quando ele conclui seu famoso mapa da Europa em 18 folhas impressas.

Porém sua meta ia ainda bem mais longe: seu plano era uma descrição abrangente do Céu e da Terra, com base na teologia e na história. Ele a denominara Atlas, em homenagem ao astrônomo da Mauritânia. Mercator almejava explicar todo o cosmo nessa obra em diversas partes, contendo tanto textos sobre a criação do mundo quanto descrições geográficas das regiões e suas histórias nacionais.

Gerardus Mercator trabalhou até o fim da vida nessa obra colossal. Porém o que a transformaria num best-seller era a parte cartográfica. O termo “atlas” permaneceu, designando não apenas uma coleção de mapas em forma de livro, como também toda uma imagem do mundo que nos marca até hoje.

Fonte:Associação dos Porti de Lingua Portuguesa – APLOP

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