“pesca, um mar de oportunidades perdidas” @ PÚBLICO

Artigo Público 04.10.2012 – José Manuel Rocha

 Frases chave  :

“A indústria da pesca não tem conseguido responder à mudança”

“Entre 1993 e 2011, perdeu um terço frota”

“Consumo português de pescado estima-se em mais de 500 mil toneladas anuais.”

“Em 1960, a frota portuguesa capturava mais de 350 mil toneladas por ano, hoje ronda as 165 mil “

“As importações de peixe e derivados somaram 1451 milhões de euros. Foram quase 400 mil toneladas”

“Portugal exportou quase 150 milhões de euros em conservas”

“Desde 1990 que é assim: nós a descermos e a Espanha a garantir posições, porque tem posições no contexto da União Europeia”

“aposta na aquicultura é uma prioridade nacional”

Portugal produz em viveiro cerca de oito mil toneladas de peixe por ano,

“acabar com o actual sistema de venda, que impede o pescador de vender o produto da sua faina a quem muito bem entende e de pedir o preço que considera justo.”

“E havia também que mudar a legislação aplicada às pescas…das mais restritivas que existem em todo o espaço europeu e que acaba por ser limitadora da iniciativa privada e de uma aposta mais substancial no sector pesqueiro”

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Uma resposta a “pesca, um mar de oportunidades perdidas” @ PÚBLICO

  1. sorir diz:

    O que não poupávamos se Portugal TIVESSE MAR !!!!

    Da crónica de João Quadros no Negócio On-Line:

    “Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses.”
    Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco.
    Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.

    Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti… Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.

    Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano.
    Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras…
    fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras.
    Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.

    Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: “tem polvo marroquino?”, sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. “Queria quinhentos de polvo marroquino” – tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.

    Eu, às vezes penso: o que não poupávamos se Portugal TIVESSE MAR !!!!

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