“Harbour Krystal” – esclarecimento

Esclarecimento enviado por um leitor do Portaló, referente aos diversos artigos e notícias divulgados pelos meios de comunicação social.

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“Caros amigos, muito agradecido pela informação disponibilizada sobre acidente do navio tanque “Harbour Krystal”. No entanto tenho a realçar “pequenas discrepâncias” entre o artigos publicado e os factos.

Desde 02 de Janeiro de 2008 que existe em sistema voluntário e a partir de 01 de Junho de 2010 em sistema obrigatório de acordo com critérios da IMO e SOLAS, um Sistema de Controlo de Tráfego Marítimo em Portugal Continental, CCTMC/VTS, no espaço da ESNIDH, operando com Oficiais de Pilotagem da Marinha Mercante, de acordo com legislação internacional e nacional, este centro opera e providencia os seguintes serviços:

-Serviço de informação,-organização de tráfego e assistência à navegação ao longo da costa portuguesa, desde a longitude de Vila Real Santo António até à latitude de Caminha, em termos práticos, e a uma distância de cerca de 60 milhas nauticas da linha de costa. O CCTMC/VTS disponibiliza também serviços relacionados com a segurança marítima, nomeadamente: MAS (Maritime Assistance Services); SafeSEaNet; GMDSS/DSC na area 1; COPREP (Serviço de notificação obrigatório de navios na costa portuguesa); WETREP (Serviço/sistema de notificação obrigatório de navios tanques em águas da Europa Ocidental); ISPS/SSAS alert messages; LRIT; SSN alert messages(Safe Sea Net); Assistência SAR; Assistência serviços anti-poluição; Assistência e interacção com outras entidades no domínio marítimo e papel fundamental em navios que pedem locais de refugio ao longo da nossa costa, entre outros.

O CCTMC/VTS tem como consequências: Criação de condições de navegação mais seguras na costa portuguesa; Contribui para a preservação e protecção do meio ambiente marinho e costeiro; Acelerar a capacidade de resposta em casos de acidentes ou incidentes marítimos ou ambientais; Aumentar o “policiamento” das actividades marítimas e a preservação de actividades ilegais.De acordo com legislação nacional o CCTMC pertence ao Sistema nacional de controlo de tráfego marítimo (SNCTM),que por sua vez é coordenado pela Autoridade Nacional de Controlo de Tráfego Marítimo (ANCTM), que exerce as suas competências em todo o território nacional e tinha como presidente do conselho directivo o presidente do extinto IPTM e presentemente a DGRM. Para não me tornar maçador em termos legislativos, lembro que o contacto de todos os navios que navegam na nossa costa, dentro da área VTS ou COPREP e sujeitos ao VTS costeiro é feito através do CCTMC/VTS, qualquer navio deve comunicar ao respectivo centro a ocorrência de quaisquer acidentes ou incidentes na área de intervenção do VTS costeiro, nomeadamente acidentes/incidentes que possam afectar a segurança do navio, tais como avarias, colisões, derrames, funcionamento defeituoso ou paragem das máquinas , diminuição capacidade de manobra, danos estruturais, defeitos de casco, aparelho propulsor, máquina do leme, etc…

Assim, no tempo presente e para o futuro é necessário ter em atenção toda esta informação, alicerçada em termos de legislação nacional e internacional, no sentido de estar alertado sobre qualquer informação dos meios de comunicação sobre eventuais problemas com navios na nossa costa. Neste caso, como em muitos outros, cerca de 300 a 400 por ano, a informação disponibilizada é fornecida pelo CCTMC/VTS para todas as entidades nacionais, nomeadamente para a DGAM, MRCC e DGRM. A nível internacional a informaçãol é disponibilizada através da Safe Sea Net/EMSA. No caso presente como nos passados e certamente nos futuros, os contactos com os navios, são e serão efectuados pelo CCTMC/VTS, a informação disponibilizada foi e será fornecida também pelo CCTMC/VTS. Todo o processo de organização, controlo e supervisão de tráfego, coordenação das acções de apoio, informação, redução de risco de colisão entre navios, evitar congestão do tráfego e assistência à navegação é do âmbito do CCTMC/VTS.

No caso presente e em todos os acidentes/incidentes com navios nas áreas VTS/COPREP, após alertas dos navios ou por outros meios disponibilizados, o contacto com os navios é feito pelo CCTMC/VTS, após contacto e de acordo com procedimentos operacionais, são efectuadas diversas questões ao navio, nomeadamente características do navio, dados sobre a tripulação, carga, assistência, avarias, derrames e outras. Após informação disponibilizado pelo navio, o CCTMC/VTS disponibiliza toda a informação, dentro dos critérios exigidos, para todas as entidades, nomeadamente para a DGAM, MRCC e DGRM. Simultaneamente são efectuadas alertas a toda a navegação na área, através de comunicação verbal por VHF e informação escrita por mensagens AIS e também informações direccionadas, nomeadamente aos navios nas proximidades do navio com acidente/incidente. Sobre o acidente do navio tanque “Harbour Krystal”, está tudo disponibilizado nos diferentes meios de comunicação, certamente com alguns “desfasamentos” na informação disponibilizada pelo CCTMC/VTS ás entidades nacionais e internacionais. 

Capitão Marinha Mercante “

 

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Uma resposta a “Harbour Krystal” – esclarecimento

  1. Maq. diz:

    Caro Capitão,

    Desde já, gostei da explicação e ligação sobre VTS, CCTMC, IPTM, DGRM, EMSA, COPREP, ISPS, SSAS, GMDSS, IMO, SOLAS, (ufa!) e as notícias. É apenas a minha opinião pessoal, mas vim mais vezes ver as notícias do explosão e desaparecimento no “Harbour Crystal”, aqui, do que nos meios “oficiais” onde a informação é escrutinada, protegida, e cautelosamente alimentada aos outros devido a tantos interesses instalados (poderia ser que, aqui até apanhasse alguma escapadela de outros meios de comunicação!). Esperava um desfecho melhor para o marítimo envolvido, poderia ser que tivesse ficado a bordo, nem que ferido gravemente… e sim também a curiosidade mórbida do que infelizmente terá acontecido. Sabemos que somos uma indústria mais reactiva e de aprendizagem por tarimba e cabeçadas. Não sei quem revê e “posta” as notícias para colocar no portaló… mas é uma triagem que alguém já faz por mim e mais rápido do que ir a tantos lados procurar informação. Os melhores cumprimentos a todos, aos que informam, aos que contra-informam e aos que criticam (e todos precisos). Os meus sentimentos para a família do tripulante, que não sendo português, ficou nas nossa águas.

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